O sonho de um carro raramente tem a formulação "qualquer coisa que esteja disponível". Normalmente, são os detalhes que decidem: uma cor rara, uma configuração específica, uma edição limitada — até aquela linha exata na lista de opções. Há mais de 15 anos que Ike Avetisyan procura e entrega carros de diferentes países. No seu portfólio incluem-se um Mercedes G-Class Mansory de cerca de dois milhões de euros e um Mercedes-Maybach Guard V12 blindado de fábrica. Falámos com Ike sobre onde termina o catálogo normal de um concessionário, o que acontece a um carro entre a encomenda e a entrega das chaves e se existem realmente pedidos aos quais é preciso responder "impossível".
— Ike, quando é que uma pessoa percebe que não encontra o carro certo num concessionário normal?
— Normalmente, no momento em que surgem os detalhes. "Quero um SUV" é uma conversa. Mas quando se quer uma cor específica, um interior determinado, um conjunto de opções ou uma versão rara, a escolha reduz-se drasticamente. O concessionário oferece o que já tem em stock, e um pedido assim tem de ser procurado em diferentes mercados. O preço também pode desempenhar um papel: na minha experiência, a diferença em relação à oferta do concessionário é por vezes de 10 a 15%. Mas, na maioria das vezes, as pessoas não vêm apenas pela poupança — querem exatamente o carro delas, sem o compromisso de "um parecido também serve".
— Depois de quinze anos de trabalho, ainda se pode surpreender com um carro?
— Sim. As encomendas mais invulgares são carros blindados de fábrica para diplomatas e grandes empresários. Um dos projetos mais caros foi um Mercedes G-Class Mansory de cerca de dois milhões de euros. Mas o que mais me marcou foi um Mercedes-Maybach Guard V12 com blindagem de fábrica nível VR10. Tem uma combinação rara: o luxo habitual do Maybach e um nível de segurança completamente diferente, o máximo possível.
— Suponhamos que o carro desejado é encontrado. Que caminho ele percorre até ao proprietário?
— Na verdade, a procura começa mais cedo — com um pedido exato: modelo, configuração, cor, orçamento e prazos. Depois é feito um depósito, geralmente cerca de 10% do valor, e nós procuramos uma opção adequada. Quando é encontrada, verificamos o carro, reservamo-lo, acordamos a compra e organizamos a entrega através da Geórgia. Após a chegada à Rússia, o proprietário paga as taxas alfandegárias e a taxa de sucata, recebe os documentos e as chaves. Em média, desde a primeira conversa até à entrega, passam cerca de um mês.
— A parte mais preocupante de uma encomenda destas é confiar em pessoas de outro país. O que verifica em primeiro lugar?
— Aqui não se pode confiar apenas numa fotografia bonita. Praticamente todos os carros que trago são novos: compramo-los a concessionários oficiais ou a parceiros com quem trabalhamos há muito tempo. Se houver oportunidade, inspeciono o carro pessoalmente; se não, os meus representantes no local fá-lo-ão. E controlamos separadamente o transporte: o carro viaja com cobertura total de seguro. Nesta história, não é uma verificação que importa, mas toda a cadeia — desde o vendedor até à logística.
— E se uma pessoa estiver convencida de que o carro dos seus sonhos já não pode ser encontrado?
— Eu respondo: carros impossíveis quase não existem. Existem os raros, os complexos e os que exigem um pedido muito preciso. Se for claro que carro é exatamente o que se quer e qual é o orçamento, pode-se procurar praticamente qualquer coisa. O principal é começar não com a palavra "impossível", mas com os detalhes.
Dmitry Yurov
