O Envelope Permanece Selado
Al Pacino sobe ao pódio na 96ª edição do Oscar, com o envelope na mão, o holofote iluminando as linhas profundas em seu rosto como um mapa de todos os papéis pelos quais ele lutou.
Ele tem 83 anos agora, a voz rouca de décadas dando ordens como chefes de máfia e policiais à beira do abismo, mas esta noite ele é apenas o apresentador de Melhor Filme, um papel que deveria ser simples — abrir o cartão, listar os indicados, anunciar o vencedor. Em vez disso, ele pula a lista inteira, murmurando algo sobre ela já estar nas telas do público, antes de nomear Oppenheimer como o grande vencedor.[4] A plateia se mexe, uma onda de confusão sob os aplausos, e assim, no dia seguinte, o momento explode online, com memes disparando como balas perdidas, metade da internet encolhendo de vergonha, a outra metade defendendo o legado do cara.[5]
É o tipo de deslize que parece menos um erro e mais Pacino sendo Pacino — sem roteiro, cru, não se encaixando perfeitamente na máquina polida da grande noite de Hollywood.
Perseguindo a Indicação
Nos anos 70, quando Pacino ainda incendiava as telas com aquela intensidade contida, o Oscar começou a bater à porta. A primeira veio com Serpico em 1974, sua indicação a Melhor Ator por interpretar o policial denunciante que não se curvava, um papel que também lhe rendeu um Globo de Ouro.[1] Depois O Poderoso Chefão Parte II no mesmo ano, mergulhando mais fundo na alma de Michael Corleone, outra chance de Melhor Ator.[1] Um Dia de Cão veio em 1976, aquele assalto a banco selvagem transformado em crise de reféns onde o Sonny Wortzik de Pacino grita pelos direitos de seu amante — sim, outra indicação.[1] E não esqueça …E a Justiça para Todos em 1979, onde ele é o advogado se desfazendo em um sistema corrupto, conquistando mais uma nomeação a Melhor Ator.[1]
Essas não eram apenas indicações; elas marcavam um cara que conseguia transformar fúria contida em algo elétrico, papéis que faziam o público se inclinar para frente nas cadeiras.
Mas a dança de Pacino com a Academia se complicou cedo. Por O Poderoso Chefão em 1973, ele ganhou uma indicação a Melhor Ator Coadjuvante como o genro do jovem Vito — não, espere, como Michael, o herdeiro que se torna o monstro.[1] Foi uma peculiaridade de categoria, mas definiu o padrão: perto, mas sem charuto.
Papéis Secundários, Mesmo Fogo
Avance rápido para os anos 90, e Pacino ainda circula em torno da estatueta. Dick Tracy em 1991 lhe rende outra indicação a Ator Coadjuvante, todo untado de ameaça como Big Boy Caprice, mastigando o cenário como se fosse sua última refeição.[1] Depois Glengarry Glen Ross em 1993, aquele caldeirão de pressão das vendas onde ele é Shelley Levene, desesperado e derrotado — outra corrida por Coadjuvante.[1]
Por tudo isso, sem vitória em Melhor Ator, apenas esses flertes que o mantinham na conversa, um lembrete de como o Oscar adora paquerar sem se comprometer.
A televisão ofereceu o que o cinema reteve, no entanto. Em 2004, Anjos na América trouxe Emmy, Globo de Ouro e prêmios SAG por seu Roy Cohn, o corretor de poder no armário se desfazendo no palco e na tela.[1] Depois, em 2010, Você Não Conhece Jack, como o médico da eutanásia Jack Kevorkian, varreu o mesmo trio — Emmy, Globo, SAG — Pacino canalizando aquela corda bamba moral com o mesmo olhar inabalável.[1]
É como se a telinha soubesse como recompensar o que a telona ignorou.
| Data | Evento |
|---|---|
| 2024-03-10 | Al Pacino apresenta o prêmio de Melhor Filme na 96ª edição do Oscar, pulando a lista completa de 10 indicados antes de declarar Oppenheimer o vencedor.[4][5] |
| 2024-03-11 | O anúncio viraliza, deixando os espectadores perplexos e dividindo opiniões nas redes sociais.[4][5] |
A Que Colou
Finalmente, em 1993, Perfume de Mulher entregou a vitória — um Oscar de Melhor Ator por Lt. Col. Frank Slade, o veterano cego e amargo que divaga e dança pela vida sem filtro. Pacino dominou, aquele Hoo-ah! ecoando muito depois dos créditos.
"Me surpreendeu, a sensação que tive ao ganhar o Oscar por 'Perfume de Mulher'. Foi uma sensação nova. Eu nunca a havia sentido. Não vejo muito meu Oscar agora. Mas quando o recebi pela primeira vez, houve uma sensação por semanas depois que acho que é semelhante a ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas."
— Al Pacino[6]
Mesmo na vitória, há essa distância — ele não se apega a isso, como se a coisa fosse um souvenir de uma viagem que ele mal lembra. É Pacino: intenso no momento, evasivo depois.
As indicações se acumularam antes e depois, um total de oito ao longo de sua carreira, mas aquela única vitória parece a exceção, não a regra.
Seu corpo de trabalho grita ícone — a descida silenciosa de Michael Corleone, o fim explosivo de Tony Montana em O Scarface, até viradas posteriores como o boxeador envelhecido em Justiça Mortal — mas o amor da Academia permaneceu inconsistente, distribuindo reconhecimento em acessos e paradas.
Ecos Virais
Aquele tropeço no Oscar de 2024? Cai como um retorno a todos aqueles quase-acertos. Pacino, com o envelope apertado na mão, pula os indicados — talvez nervos, talvez uma orientação do produtor que saiu pela culatra, mas deixa o teatro na expectativa, a vitória de Oppenheimer caindo sem graça no meio do que-diabos-foi-isso.[4] Pela manhã, clipes estão por toda parte, alguns chamando de desastre, outros dando de ombros como a excentricidade do velho mestre.[5]
Você quase pode ouvir os sussurros: aqui está o cara com as indicações empilhadas como fichas de pôquer que ele nunca trocou, agora tropeçando no próprio holofote. Mas essa é a ironia — Pacino nunca foi sobre polimento. Seu poder está na bagunça, nas arestas não lapidadas que fazem os personagens respirarem.
Pense em Serpico novamente, aquela vitória no Globo de Ouro sublinhando a crueza que o Oscar reconheceu, mas não selou.[1] Ou as varreduras na TV por Anjos e Jack, onde ele pôde se soltar sem o brilho da cerimônia.[1]
Ele coletou prêmios em outros lugares — Globo por Serpico, as tríades na TV — mas o Oscar? Eles provocam, honram em surtos, de indicações Coadjuvante em O Poderoso Chefão, Dick Tracy, Glengarry, até as corridas de Melhor Ator em …E a Justiça para Todos, Poderoso Chefão II, Um Dia de Cão, Serpico.[1]
O clipe recente apenas amplifica isso: mesmo apresentando, Pacino não consegue seguir as regras exatamente.
Esqueça o roteiro.
Essa é a verdadeira indicação de Pacino — a uma vida inteira sendo ele mesmo, com ou sem Oscar.
No final, assistindo àquele momento viral, é difícil não ver um cara que passou décadas dançando na beira do acclaim sem nunca se entregar totalmente à dança. A leitura honesta? A estranheza de Pacino não é um defeito; é a prova de que ele ainda tem aquela faísca imprevisível que a Academia notou pela primeira vez tantos anos atrás.
Fontes
- [1] Al Pacino | Emmy Awards and Nominations - Television Academy — televisionacademy.com
- [2] Reportado List of awards and nominations received by Al Pacino - Wikipedia — en.wikipedia.org
- [3] Every Al Pacino #Oscar Nomination And Winning ... - YouTube — youtube.com
- [4] Oscars 2024: Al Pacino slips up when announcing Best Picture award — youtube.com
- [5] Al Pacino's AWKWARD Best Picture Announcement Divides the ... — youtube.com
- [6] Al Pacino Quotes About Winning — azquotes.com
GetCelebrity Editorial